domingo, 2 de novembro de 2008


Nas horas de precisão
Senti falta do teu abraço amiga.
Meu amor.
Senti falta acho que dá única que ali do meu lado estaria
Sem perguntas, apenas a me abraçar.
Apenas a dividir comigo aquela hora que o relógio nem marcou.
Estavas a uma distancia incontável do meu abraço, e o teu ombro do outro lado do mundo.
Era em ti que eu pensava, era tu que eu queria, era contigo que na minha sala sozinho e quebrado eu conversava, e sabes de uma coisa, tu me ouvias.
Agora que passam rápidos os dias até tua chegada, sei que vou romper em lágrimas felizes, sei que vou te abraçar o mais forte que posso, pelo maior tempo que puder, sei que vou te beijar como a ninguém a muito tempo beijo, sei que vou te olhar com olhos mais cheio de alegria, sei que nossa felicidade vai inundar as vias que estiverem por perto, sei que vamos andar de mão, que vamos dançar juntos, tomaremos um porre juntos, ai meu amor, que saudade de ti e da tua mão, de unhas bem feitas e vermelhas, dos teus dedos longos, e que saudade da tua gargalhada única e só tua!
Trinta e poucos dias, é o que nos separa.
Esses dias pela webcam, vi como estas linda, vi entre as lagrimas da minhas saudade, como teu sorriso é o mesmo, e como ele me faz bem!
Seria cafona dizer que estou a tua espera desde sempre... mas que seja cafona então...
Isa to a tua espera.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A minha passagem das horas

Sabe-se lá quantas horas já se passaram desde que fui
Retirado um pouco mais de uma hora
Da barriga de minha mãe
Passaram muitas horas até que eu fosse levado pra casa
Embalado, cuidado e por fim, jogado à vida
Onde as horas passam mais lentamente

Serão os relógios que estão lentos
Ou será rápido demais

Caminho, ando,me desloco em atrito com o tempo
O tempo me bate na cara, aperta o peito
E me atrasa para os compromissos mais simples
Como por exemplo, viver sem contar o tempo

Viver neste ritmo fechado de horas
É como voltar à idade média
E ficar trancafiado em algum calabouço
A esperar todos os dias por uma nova fogueira

Horas marcadas, cronometradas, estipuladas, exigidas
É como se o ritmo, esmagado por tudo isso,
Perdesse o próprio ritmo, e a vida demarcada
Por ponteiros e dígitos perdesse a graça

Arranco do meu pulso este objeto
Quebro meu celular
Não consulto mais as horas
Não presto atenção nos sinos das igrejas

Como é boa a vida sem tempo

Daqui a 60 dias estarei demitido

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Desamar - Deixar de amar. Odiar, aborrecer.

Desamar, ação comum nos dias di hoje.
Desamar, sim, desamar, deixar de amar, aborrecer.
Afinal, quão fácil é ilusório é nos dias de hoje dizer: Eu te amo.
Lamento mas nos tempos dos meus avós, isso nem se falava, e durava uma vida, apenas se demonstrava.
Minha avó viúva as 27 anos demosntrou seu amor ao meu avô até os 72, como? Sendo devota aos seus filhos órfãos de pai, mas frutos de amor verdadeiro. Amor grande e rápido.
Hoje se diz "eu te amo" assim como se diz "oi".
É fácil, é rápido, é gostosinho até.
Eu mesmo até o mês passado, ja amei umas 3 vezes. Engraçado mas tenho uma leve dúvida sobre o nome dessas pessoas que eu "amei". Mas "ok", amei.
Mas e ele de verdade, o amor, aquela queimação, aquela coisa engasgada na garganta, aquele palpitar, aquela vontade de ver, apenas de ver, aquela vontade de ouvir, apenas ouvir, aquela vontade de falar, apenas de falar, onde está? Onde fica? Onde foi parar?
Onde esta nas pessoas a verdade de disso tudo?
Ou será que o amor virou um belo par de pernas e peitos grandes? Ou será que o amor virou uma bela bunda e um pau?
Poucos que conheço amam de verdade.
Muitos que conheço vivem a desamar.
Afinal de contas, se amar é difícil, Desamar, acreditem, é bem pior!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Sem título


A única anormalidade é a incapacidade de amar.

Soneto de separação


De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.


De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o presentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.


De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.


Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

Ao Amor Antigo


O amor antigo vive de si mesmo, não de cultivo alheio ou de presença.Nada exige nem pede. Nada espera,mas do destino vão nega a sentença.O amor antigo tem raízes fundas,feitas de sofrimento e de beleza.Por aquelas mergulha no infinito,e por estas suplanta a natureza.Se em toda parte o tempo desmoronaaquilo que foi grande e deslumbrante,a antigo amor, porém, nunca fenecee a cada dia surge mais amante.Mais ardente, mas pobre de esperança.Mais triste? Não. Ele venceu a dor,e resplandece no seu canto obscuro,tanto mais velho quanto mais amor.

As três experiências


Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou a minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. "O amar os outros" é tão vasto que inclui até o perdão para mim mesma com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida . Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.
E nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que, foi esta que eu segui. Talvez porque para outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E no entanto cada vez que eu vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.
Quanto aos meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Meus dois filhos foram gerados voluntariamente. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias, eu lhes dou o que é possível dar. Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo. Mas tenho uma descendência, e para eles no futuro eu preparo meu nome dia a dia. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha: É fatal, porque a gente não cria os filhos para a gente, nós os criamos para eles mesmos. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres.
Sempre me restará amar. Escrever é alguma coisa extremamente forte mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia. Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera.